sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Pedras do meu caminho



Pedras tão linda e belas
Umas tão branquinhas
Outras amarelas, castanhas
Vermelhas azuis esverdeadas
Era com todas elas
Que eu me encantava.

Pedras de cor negra estavam lés-a-lés
Era com elas que feria meus pés
Andava descalça todo o santo ano
Porque os meus sapatos
Eram feitos de pano

Sola de madeira chamavam tairocas
E ao bater nas pedras ficavam já rotas
Logo a mãe gritava e agarrava a vardasca
Para próxima vez vais andar descalça

Eu toda feliz
Nem pisava o chão
E as pedras não tinham
De mim compaixão

Quando rebentava
A cabeça de um dedo
Com dores tão terríveis
ponha-me a chorar
mas logo encontrava um trapo
para o dedo curar.


Mais uma peripécia das pedras do meu caminho



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A VIDA SERÁ QUE NÃO É MAIS QUE ILUSÃO?



Quando as sombras da tarde vão caindo

Traçando o dia que já foi.

Vejo os passos sumidos dos que estiveram junto a mim

E sinto o barulho do silêncio que aos poucos me contrai.

Olho em meu redor e nada vejo,

Sinto no meu corpo o toque leve… como o esvoaçar

Das borboletas.

São as tuas mãos transformadas em bolas de sabão,

Quanto mais abro os olhos menos enxergo!

Porque ainda não me é permitido ver,

Ergo os olhos ao céu… meu Deus, quero partir

Já não quero estar mais aqui!

Tudo se foi e nada tenho, também nada tive,

Deixo o meu corpo cair sobre a terra molhada

Pelas lágrimas que brotei ao longo do tempo, que por cá andei.

Nascer.

Viver.

Aprender.

Tudo não passa de quimeras

Saudades.

Tristezas.

Ilusões                   

sexta-feira, 29 de julho de 2016

As pedras da minha vida



Pedras da rua
branquinhas e belas
também tenho pedras
nas minhas janelas...

De pedras é feito o meu lar
tenho pedras na cozinha
E na casa de jantar...

Pedras nas minhas plantas
pedras para enfeitar a casa
pedras que piso todos os dias
entre as pedras me criei,
com elas tanto brinquei
e delas fiz minha arma
e, debaixo de uma pedra
meu corpo descansarei.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

SERRA DO CARAMULO



Subir a serra 
Um dia quis subir a segunda serra.
Mais alta do meu País
Subi, saltei e contornei
Cada pedra que ali se encontra, há milhões
De anos, pensei que estavam à minha espera
Tão certinhas e alinhada umas há outras.
Mas de repente, e com as forças a reclamarem,
Sentei numa delas,
 senti que algo murmurava aos meus ouvidos

era a voz do silêncio que me segredava
descansa e deixa tudo como estava, “como se eu
fosse capaz de carregar com alguma delas.”
Um dia voltarás e na mesma encontrarás o alívio
Do teu cansaço.
Vim embora, ainda com aquela voz no ouvido
Passados
 Longos anos digo de mim, para mim adeus rochedo
Fica em paz com a tua beleza, que eu jamais
Voltarei aqui para te importunar,
De cada vez que lá fui encontrei a paz para a minha
Meditação, e talvez dai em diante a meditação
Está muito longe de mim.

(como todas as pedras tem
grande significado na vida de todos nós)


sábado, 11 de junho de 2016

Pedras com história


Com sete pedras na mão
tu vinhas-me visitar
amor do meu coração
guarda bem as sete pedras
que um dia vais precisar.

Sabes bem para que servem
as pedras do teu caminho
ao pisa-las  saberás
as magoas que em ficaram
e no coração um espinho. 



domingo, 22 de maio de 2016

PEDRAS DA MINHA INFÂNCIA


Pedras e pedrinhas.

Quando eu era mocinha, vivia no campo
em todos os cantos eu encontrava pedras,
sempre tive uma paixão por elas.
Tinha-as de todos os formatos e tonalidades
mas as que eu adorava mais eram as do furo...
um furo de águas cristalinas que existia naquela herdade
onde todos matavam a sede e ainda regava os campos
de arroz, batatas. árvores de fruto, e todos os que nela saciavam
a sua sede.
Ainda hoje existe uma grande parte dessa herdade
que foi vendida ao Sr.º Sousa Sintra para fazer uma empresa
de águas ditas minerais.

Aí o estado ou a Câmara Municipal de Setúbal deu um jeito
de desapropriar o senhor e fazer delas um bem a favor da população 
dos arredores da cidade...mais propriamente, Praias-do-Sado
e Faralhão.
Então aqui voltam a entrar de novo as minhas pedras e pedrinhas
que eram as lavadas pela água que noite e dia corria sobre elas como se fora
um rio, eu as colhia e com elas fazia lindos enfeites...Há que saudades
da herdade onde nasci e cresci... aí o meu pai me concebeu
e aí o meu pai morreu, e neste entreva-lo já lá vão 50 anos 
da minha vida, por isso eu sou dura como as pedras
da minha infância, que nos meus devaneios ainda as vejo
com as mesmas cores e formatos.